Bioestimulador ou Ultrassom Microfocado? Entenda as Diferenças e Escolha o Melhor para Você

Por Ivana Ponce

Ambos os procedimentos promovem a neocolagênese, ou seja, a produção de novo colágeno. Mas qual deles é o mais indicado para suas necessidades? E quais são as diferenças fundamentais entre eles? Para desvendar essas questões, vamos explicar o funcionamento de cada um e como eles atuam na saúde e beleza da sua pele.

A Importância dos Fibroblastos na Produção de Colágeno

Primeiramente, é crucial entender quem são os protagonistas na produção de colágeno em nossa pele: os fibroblastos. Essas células são responsáveis por sintetizar um colágeno de qualidade, essencial para a firmeza, elasticidade e viço da pele. No entanto, com o envelhecimento, os fibroblastos também sofrem alterações, transformando-se em fibrócitos. Os fibrócitos possuem uma capacidade reduzida de produção e geram um colágeno de baixa qualidade.

Imagem produzida por IA

Enquanto as terapias regenerativas buscam reverter os fibrócitos ao estado de fibroblastos, as terapias bioestimuladoras atuam para manter os fibroblastos ativos e saudáveis por mais tempo. Compreendendo essa dinâmica, podemos agora aprofundar nos procedimentos.

Bioestimuladores Injetáveis: Estimulando a Produção Natural de Colágeno

Os bioestimuladores injetáveis são compostos por micropartículas que, ao serem aplicadas na pele, induzem uma inflamação controlada. Essa reação é interpretada pelo corpo como a presença de um “corpo estranho”, desencadeando uma cascata de reações que culmina na produção de colágeno endógeno, ou seja, produzido pelo próprio organismo.

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É fundamental ressaltar que o bioestimulador não é colágeno. Ele atua como um estímulo para que seu corpo produza seu próprio colágeno. Por essa razão, os resultados não são imediatos, pois o processo de neocolagênese demanda tempo. A Hidroxiapatita de Cálcio, um dos bioestimuladores mais utilizados, possui uma durabilidade de 18 a 24 meses, com uma curva ascendente de produção de colágeno que se estende por até 12 meses. Após esse período, a produção continua, mas em ritmo decrescente, até a completa reabsorção do produto. Por isso, a recomendação é realizar uma sessão de bioestimulação anualmente, garantindo a manutenção de uma curva de produção de colágeno sempre ascendente.

Ultrassom Microfocado (HIFU): Tecnologia para Firmeza e Compactação

O Ultrassom Microfocado (HIFU) utiliza ondas acústicas de ultrassom concentradas em regiões e profundidades específicas da pele. A vibração gerada pelo atrito entre moléculas e células provoca um aquecimento localizado, que pode atingir temperaturas entre 60-70ºC. Esse dano térmico controlado induz uma reação inflamatória que, por sua vez, inibe citocinas que transformam fibroblastos em fibrócitos e, ao mesmo tempo, aumenta a produtividade dos fibroblastos saudáveis. Todo esse processo resulta na produção de colágeno.

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Os resultados do HIFU começam a ser percebidos em cerca de 3 meses. A durabilidade é mais variável, girando em torno de 6 meses a 1 ano, pois, ao contrário dos bioestimuladores injetáveis, não há um produto visível para monitorar sua reabsorção. A avaliação da eficácia é feita pela quantidade de fibras colágenas produzidas, que pode ser influenciada pelas características individuais de cada paciente.

Qual Escolher? Bioestimulador ou HIFU?

Ambos os procedimentos são eficazes na produção de colágeno e oferecem benefícios distintos. Para facilitar sua decisão, vamos elencar as vantagens de cada um:

Bioestimulador Injetável:

  • Estímulo de colágeno mais duradouro.
  • Promove um leve e natural aumento de volume na região tratada.
  • Não indicado para áreas com excesso de volume, como a região do “buldogue” (flacidez na mandíbula).
  • Melhora a hidratação e o viço da pele, reduzindo rugas finas e, em alguns estudos, contribuindo para o clareamento de melasma.

Ultrassom Microfocado (HIFU):

  • Não requer o uso de agulhas.
  • Mínimos cuidados no pós-procedimento.
  • Não causa inchaço.
  • Promove a compactação da região, sendo ideal para tratar a flacidez do “buldogue”.

A Combinação Perfeita para um Rejuvenescimento Abrangente

Em resumo, o bioestimulador injetável oferece uma neocolagênese superior ao HIFU. No entanto, a beleza desses procedimentos reside em seus efeitos complementares. Enquanto o bioestimulador promove uma leve volumização e reestruturação, o HIFU atua na compactação dos tecidos.

O cenário ideal para reestruturar uma face com sinais de envelhecimento seria a combinação de ambos: bioestimulador injetável na lateral do rosto para promover um lifting e definir o contorno da mandíbula e maçãs do rosto, e HIFU na região do “buldogue” para compactar o tecido excedente e acentuar a linha da mandíbula. Essa abordagem integrada proporciona resultados mais harmoniosos e abrangentes.

E se eu tiver que escolher apenas um?

Se a escolha for por apenas um procedimento, o bioestimulador injetável se destaca. Antes de buscar o emagrecimento facial, é fundamental reestruturar a face lateralmente, e o bioestimulador é a ferramenta ideal para isso.

Quer entender melhor? Assista esse pequeno vídeo: Ultraformer ou Bioestimulador?

Escrito por dra. Ivana Ponce – Médica

CRM-PR 46488

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