PREENCHIMENTO LABIAL PODE SER DELICADO E NATURAL

Por Ivana Ponce

Imagem mostrando famosas que possuem beleza sofisticada.
A tendência dos procedimentos estéticos é ser uma etapa do autocuidado e não mais a construção de um novo rosto.

Diante das transformações dos padrões estéticos que temos presenciado, já não se fala mais em grandes harmonizações faciais e rostos que parecem esculpidos. A grande mudança no universo dos procedimentos estéticos é justamente compreender as individualidades da beleza e respeitá-las, trazendo à tona uma estética mais relacionada ao autocuidado: qualidade de pele, menos necessidade de maquiagem, menos filtros nas redes sociais e preservação de características étnicas e únicas.

E como o preenchimento labial se encaixa nesse novo movimento de beleza? Ainda há espaço para ele?

Com certeza, sempre haverá. Afinal, é uma das melhores ferramentas para devolver juventude aos lábios, que, com o tempo, sofrem perda de volume, planificação da superfície (as ondulações dos tubérculos vão se aplainando), aumento da distância entre a base do nariz e o lábio superior, surgimento do “código de barras” (aquelas ruguinhas que aparecem quando vamos usar um canudo) e a sensação de que o lábio está “entrando para dentro” da boca (o que chamamos de inversão labial), entre outras alterações.

Então sim: ele ainda é (e possivelmente sempre será) uma ferramenta importante no processo de rejuvenescimento e embelezamento labial. Mas não dá para continuar fazendo as mesmas técnicas da época das grandes harmonizações, não é mesmo?

Modificações etárias da região labial e perilabial
Fonte: The Cleveland Clinic Foundation (CCF), 2017. (Ilustração: anatomia e sinais de envelhecimento labial).

Aqueles tubérculos super marcados (quase “bolotas” nos lábios), aquele arco do cupido com pontas muito evidentes e extremamente angulado, aquela textura de borracha — sem as ruguinhas naturais —, o extravasamento de produto para a parte branca ao redor dos lábios e um aumento tão grande a ponto de dificultar a movimentação dos músculos da boca (com leve endurecimento ao falar) são características que precisam ficar no passado do preenchimento labial.

E você deve estar pensando: “Mas as pessoas já gostaram de lábios assim?” Sim, muitas gostaram. Porém, há outro mecanismo que acabou deixando muitas bocas inestéticas: os mL de ácido hialurônico foram sendo colocados aos poucos ao longo dos anos. A boca nunca estava “zerada” de preenchedor quando chegava o momento do retoque, e isso foi levando a um aumento excessivo dos lábios sem que a paciente sequer percebesse.

Lábios de Charlotte Crosby, personalidade televisiva britânica, antes de remover todo o preenchedor.

E AGORA? COMO REVERTER TUDO ISSO? COMO TER UM PREENCHIMENTO LABIAL “QUIET BEAUTY”?

Pensando em tudo isso, fui buscar estudos que descreviam técnicas mais delicadas de preenchimento labial. Encontrei estudos coreanos que utilizavam seringa de insulina para resultados mais precisos, estudos brasileiros que dividiam os lábios em compartimentos para preservar a anatomia durante o procedimento, estudos que se propuseram a descrever as características mais desejadas para os lábios na atualidade, além de estudos comparando cânula e agulha com uso de ultrassonografia para avaliar como o preenchedor se comportava após a injeção. Enfim, encontrei muito material que poderia agregar à minha prática para gerar resultados delicados e elegantes.

Diferença de espessura da parede da agulha de insulina (à esquerda) e da convencional (à direita)
Proposta de divisão dos lábios em compartimentos geométricos.

Como tudo precisa ter um nome, batizei de Soft Glow Lips a técnica que, na prática, nada mais é do que uma revisão crítica da literatura científica com a seleção do que há de melhor entre diferentes abordagens para obter resultados naturais: com pouco produto, sem aquelas características inestéticas que mencionei e com uma recuperação com bem menos edema. O Soft Glow Lips é tudo isso, porque:

  • Utiliza agulha de insulina, para mais precisão e menos trauma local;
  • Prioriza o estudo da anatomia labial, respeitando as ondulações de superfície que um lábio deve ter, a textura natural e os marcos estéticos — além de manter a função dos lábios (não podemos tolerar lábios endurecidos);
  • Usa ácido hialurônico com “dureza” adequada ao que a pele daquela boca tolera;
  • Obedece proporções ideais, mas também respeita a diversidade de proporções da nossa população;
  • Faz estruturação labial antes da volumização (e, por vezes, a etapa de volumização nem será necessária);
  • Utiliza menos produto.

MAS SERÁ QUE FAZER O SOFT GLOW LIPS POR CIMA DO PREENCHEDOR PRÉVIO VAI DAR CERTO?

Na maioria das vezes, não. Em casos bem específicos, pode ser possível, mas, em geral, é importante retirar o produto que está pesando, extravasando e/ou endurecendo os lábios. E digo mais: se você ama procedimentos estéticos, comece a considerar a ideia de que, de vez em quando, pode ser bom retirar um pouco de produto (inclusive de outras regiões além dos lábios) antes de fazer retoques. O ácido hialurônico pode deixar resquícios, e a somatória ao longo dos anos é lenta e, por isso, perigosa para a sua beleza.

Se você recebe a mesma técnica de preenchimento labial há anos, então ela, muito provavelmente, não está atualizada.

ALGUNS RESULTADOS DO SOFT GLOW LIPS

Escrito por Dra. Ivana Ponce – Médica

CRM 46488PR

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